Fiscal e Tributário
Malha Fina 2026: O Checklist Final Antes da Restituição Cair
2,2 milhões de declarações do IRPF 2026 estão retidas. As restituições dos lotes seguintes dependem de a declaração passar limpa. Este checklist reúne os 7 pontos que mais geram retenção e como verificar sua situação antes de o problema crescer.

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As restituições do IRPF 2026 estão sendo liberadas em lotes desde maio. Quem entregou a declaração corretamente e tem prioridade legal já recebeu. Mas para os 2,2 milhões de contribuintes cujas declarações foram retidas na malha fina, a restituição está parada, aguardando regularização.
Malha fina não significa fraude. Na maioria dos casos, é uma inconsistência entre o que o contribuinte declarou e o que a Receita Federal recebeu de outras fontes: empregadores, bancos, planos de saúde, médicos e imobiliárias. E 2026 tem um agravante que anos anteriores não tinham: o fim da DIRF e a migração de dados para o eSocial e a EFD-Reinf criaram uma onda de erros nas fontes pagadoras, e parte dos informes de rendimentos que chegaram aos trabalhadores este ano contém valores incorretos.
Este checklist percorre os 7 pontos que mais geram retenção e termina com o passo a passo para verificar sua situação e regularizar, se necessário.
O Que É a Malha Fina e Como Funciona em 2026
Malha fina é o processo pelo qual a Receita Federal retém declarações que apresentam inconsistências detectadas no cruzamento automático de dados. O sistema da Receita compara o que você declarou com informações recebidas de dezenas de fontes: empregadores, bancos, corretoras, planos de saúde, clínicas, médicos, imobiliárias, cartórios e plataformas de pagamento.
Em 2026, o cruzamento ficou ainda mais preciso por três razões: o Receita Saúde, que desde 2025 registra automaticamente os recebimentos declarados por profissionais e estabelecimentos de saúde; a e-Financeira, que reporta movimentações financeiras incluindo recebimentos via Pix acima dos limites estabelecidos; e a consolidação do eSocial e da EFD-Reinf como fontes de informação sobre rendimentos do trabalho.
Cair na malha fina não aciona multa automaticamente. A Receita retém a declaração, verifica a inconsistência e notifica o contribuinte, que pode regularizar voluntariamente enviando uma retificadora. Se regularizar antes de qualquer procedimento de ofício, não há multa por retificação.
Por Que 2026 Tem Um Problema Diferente: O Fim da DIRF
Um ponto que poucos artigos sobre malha fina 2026 mencionam: diferente de anos anteriores, a malha fina deste ano está retendo não apenas declarações de pessoas físicas, mas também relacionando erros de empresas.
O motivo é a extinção da DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte), substituída definitivamente pelo eSocial e pela EFD-Reinf a partir de 2025. A transição foi tecnicamente exigente, e muitas empresas, especialmente as de pequeno porte, cometeram erros no envio dos dados. Um exemplo frequente: a empresa registrou o pagamento do salário de dezembro no eSocial, mas o depósito bancário só caiu em janeiro. O mês do rendimento ficou errado na fonte, e o trabalhador recebeu um informe divergente.
Se você recebeu um informe de rendimentos com valor diferente do que de fato foi pago, a inconsistência pode ser da fonte pagadora, não sua. Nesse caso, a solução não é retificar sua declaração, mas solicitar um informe corrigido ao empregador ou à instituição. O guia sobre informe de rendimentos com erro no IRPF 2026 explica como identificar e resolver esse tipo de situação.
O Checklist dos 7 Pontos Mais Críticos
1. Despesas Médicas
É o motivo número um de retenção na malha fina do IRPF 2026. A Receita Saúde, sistema operacional desde 2025, cruza automaticamente o que cada profissional e estabelecimento de saúde declarou receber com o que o contribuinte declarou ter pago. Qualquer divergência é sinalizada.
Os erros mais comuns nessa categoria:
O valor declarado não bate com o valor que o médico ou clínica informou à Receita. A despesa não é dedutível: medicamentos de farmácia, óculos, vitaminas, academia, nutricionista e massagista não entram. A despesa foi reembolsada pelo plano de saúde mas o valor cheio foi declarado como dedução. O profissional foi pago mas não emitiu recibo com CPF ou CNPJ.
O que verificar: some todas as despesas médicas declaradas e compare com os recibos físicos ou digitais que você tem em mãos. Se declarou algo sem comprovante, é o candidato mais provável à inconsistência.
2. Rendimentos Omitidos
O segundo maior motivo de malha fina. Rendimento omitido não é necessariamente algo intencional: pode ser um freelance esquecido, um aluguel declarado no valor errado, uma pensão não informada ou os rendimentos de um dependente não incluídos.
Os mais frequentemente esquecidos:
Trabalhos extras e serviços prestados como autônomo, especialmente quando houve retenção de IRRF que o contratante já informou à Receita. Aluguel recebido em espécie ou via Pix, sem emissão de recibo formal. Rendimentos de dependentes declarados: se você incluiu um filho que trabalha como dependente, os rendimentos dele precisam constar na declaração. Rendimentos de aplicações financeiras: CDB, fundos, LCI, LCA. Ganhos de capital: venda de imóvel ou carro por valor superior ao custo de aquisição. Pensão alimentícia recebida, que é isenta mas precisa ser informada.
O que verificar: confronte o informe de rendimentos de cada fonte pagadora com o que foi declarado. Se houve qualquer retenção de IRRF que aparece no informe e não foi lançado na declaração, esse valor certamente vai gerar inconsistência.
3. Divergência Entre Informes de Rendimentos e o Que Foi Declarado
Esse ponto se conecta ao problema específico de 2026 mencionado acima. Erros nos informes de rendimentos gerados pelas empresas após o fim da DIRF podem ter chegado até você como contribuinte com valores incorretos, e se você os transcreveu fielmente, sua declaração reproduz o erro da fonte.
A Receita Federal cruza os dados que você declarou com os dados que as empresas enviaram. Se os dois forem iguais, mas diferentes do que realmente aconteceu, a declaração pode não ser retida na malha fina imediatamente, mas pode ser questionada no futuro.
O que verificar: compare o informe de rendimentos que você usou para preencher a declaração com os holerites ou extratos bancários do ano. Se houver diferença relevante, o informe pode estar errado. Fale com o RH ou com a instituição emissora antes de retificar sua declaração.
4. Problemas Com Dependentes
A Receita Federal verifica automaticamente se o mesmo dependente foi declarado em mais de uma declaração. Em casos de guarda compartilhada ou de divórcio recente, esse é um dos erros mais frequentes: os dois ex-cônjuges incluem o mesmo filho como dependente.
Outros problemas comuns com dependentes:
O CPF do dependente foi digitado errado. O filho declarado como dependente tem renda própria que não foi informada na declaração. A mesma pessoa foi incluída como dependente e como alimentando na mesma declaração. O dependente completou a idade limite para ser declarado como tal durante o ano, mas continuou sendo incluído.
O que verificar: confirme que cada dependente tem CPF correto na declaração e que seus rendimentos foram informados. Se você está em situação de guarda compartilhada, confirme com o outro responsável quem vai declarar o filho como dependente este ano.
5. Evolução Patrimonial Incompatível com a Renda
A Receita Federal compara o patrimônio declarado no final do ano com o declarado no início do ano e verifica se o crescimento é compatível com a renda declarada e os tributos pagos. Se você declarou ter comprado um imóvel ou um carro e a diferença patrimonial não é explicada pela renda, a declaração pode ser sinalizada.
Erros comuns nessa categoria: imóvel declarado pelo valor venal (o valor no IPTU) em vez do custo de aquisição; atualização do valor de um bem sem ter ocorrido uma venda formal; doação recebida não informada como rendimento isento.
O guia sobre evolução patrimonial no IRPF detalha como calcular e declarar corretamente essa variação para não gerar inconsistência.
6. DMED e Plano de Saúde
A DMED (Declaração de Serviços Médicos e de Saúde) é entregue anualmente por clínicas, hospitais e operadoras de planos de saúde, informando à Receita o que cada CPF pagou ao longo do ano. Desde 2025, o Receita Saúde complementou esse cruzamento com dados de profissionais de saúde pessoa física.
Se o valor que você declarou como gasto com plano de saúde ou com despesas médicas for diferente do que a operadora ou o médico informou na DMED ou no Receita Saúde, a declaração é retida.
O que verificar: o valor anual de plano de saúde deve corresponder exatamente ao informado no informe de rendimentos da operadora ou no informe de retenção do empregador, se o plano for coletivo. Para despesas com profissionais, o valor precisa estar documentado com recibo que contenha CPF ou CNPJ.
7. Deduções Indevidas
Além das despesas médicas, outros tipos de dedução indevida geram malha fina. Os mais comuns:
Previdência privada: contribuições para VGBL foram declaradas como PGBL. O VGBL não é dedutível. PGBL acima do limite de 12% da renda bruta tributável anual foi declarado. Pensão alimentícia paga de forma voluntária, sem determinação judicial, foi declarada como dedução. Despesas com educação de tipo não dedutível foram incluídas: cursos livres, cursinhos, materiais escolares. Livro-caixa de autônomo com despesas não relacionadas à atividade ou sem comprovantes.
Como Verificar Se Sua Declaração Está na Malha Fina
O processo é simples e pode ser feito em minutos:
1. Acesse o e-CAC em gov.br/receitafederal com sua conta gov.br.
2. Clique em "Declarações e Demonstrativos" e depois em "Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)".
3. Na aba "Processamento", clique em "Pendências de Malha".
4. Se houver pendência, o sistema mostra o motivo da retenção: o código e a descrição do que a Receita identificou como inconsistência.
Se a declaração estiver com status "Em Fila de Restituição" ou "Homologado", não há pendência de malha fina e a restituição deve sair nos próximos lotes.
O Que Fazer Se Você Caiu na Malha Fina
Se você concorda que há erro na declaração: envie uma declaração retificadora corrigindo o problema. Não há multa por retificação voluntária, desde que seja feita antes de qualquer notificação formal de fiscalização.
Se você não concorda com a inconsistência apontada: a Receita Federal oferece a possibilidade de agendar um atendimento virtual (Autorregularização Incentivada ou Processo Digital) para apresentar documentos que comprovem que os dados declarados estão corretos. Esse caminho é indicado quando o erro é da fonte pagadora, não do contribuinte.
Se você recebeu uma notificação formal: o prazo para responder ou regularizar está indicado na própria notificação. Não ignore. O não comparecimento ou a não regularização dentro do prazo pode ativar autuação com multa de 75% sobre o imposto devido mais juros Selic.
A Facilite Pode Verificar Sua Declaração
Se você não sabe se sua declaração está correta ou quer revisar os pontos do checklist antes de a situação se agravar, a contabilidade online da Facilite pode ajudar com a análise e, se necessário, com a retificadora.
FAQ: Malha Fina IRPF 2026
Quantas declarações do IRPF 2026 caíram na malha fina? A Receita Federal estimou que aproximadamente 2,2 milhões de declarações foram retidas na malha fina do IRPF 2026, relativo ao ano-calendário 2025.
Cair na malha fina significa que vou pagar multa? Não automaticamente. Cair na malha fina significa que a Receita identificou uma inconsistência e reteve a declaração para análise. Se você regularizar voluntariamente, enviando uma retificadora antes de qualquer notificação formal de fiscalização, não há multa. A multa só é aplicada se houver autuação formal.
A restituição para quem está na malha fina? Sim. Enquanto a declaração estiver retida na malha fina, a restituição fica bloqueada. O contribuinte só entra nos lotes de restituição após regularizar a situação ou ter a pendência resolvida pela Receita Federal.
Como saber o motivo específico da minha retenção? Acessando o e-CAC em gov.br/receitafederal, na seção "Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)", aba "Processamento", opção "Pendências de Malha". O sistema mostra o código e a descrição da inconsistência identificada.
Se o erro foi da empresa no informe de rendimentos, preciso retificar minha declaração? Depende. Se você declarou corretamente com base no informe errado que recebeu, a solução ideal é pedir à empresa um informe corrigido e, depois, retificar sua declaração com o valor correto. Se você declarou valores que não constavam no informe (valores que sabia que estavam errados), a situação pode ser diferente. Em caso de dúvida, consulte um contador.
O Pix pode fazer cair na malha fina? Sim, indiretamente. A e-Financeira reporta movimentações financeiras acima dos limites estabelecidos, incluindo recebimentos via Pix. Se você recebeu valores expressivos via Pix por serviços prestados e não os declarou como rendimento, a inconsistência pode ser detectada no cruzamento automático.
Posso retificar a declaração quantas vezes quiser? Sim, dentro do prazo de 5 anos a partir da entrega original. Não há limite de retificações. Mas cada retificadora substitui integralmente a anterior, então é importante que ela esteja completa e correta.
O Que É a Malha Fina e Como Funciona em 2026
Malha fina é o processo pelo qual a Receita Federal retém declarações que apresentam inconsistências detectadas no cruzamento automático de dados. O sistema da Receita compara o que você declarou com informações recebidas de dezenas de fontes: empregadores, bancos, corretoras, planos de saúde, clínicas, médicos, imobiliárias, cartórios e plataformas de pagamento.
Em 2026, o cruzamento ficou ainda mais preciso por três razões: o Receita Saúde, que desde 2025 registra automaticamente os recebimentos declarados por profissionais e estabelecimentos de saúde; a e-Financeira, que reporta movimentações financeiras incluindo recebimentos via Pix acima dos limites estabelecidos; e a consolidação do eSocial e da EFD-Reinf como fontes de informação sobre rendimentos do trabalho.
Cair na malha fina não aciona multa automaticamente. A Receita retém a declaração, verifica a inconsistência e notifica o contribuinte, que pode regularizar voluntariamente enviando uma retificadora. Se regularizar antes de qualquer procedimento de ofício, não há multa por retificação.
Por Que 2026 Tem Um Problema Diferente: O Fim da DIRF
Um ponto que poucos artigos sobre malha fina 2026 mencionam: diferente de anos anteriores, a malha fina deste ano está retendo não apenas declarações de pessoas físicas, mas também relacionando erros de empresas.
O motivo é a extinção da DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte), substituída definitivamente pelo eSocial e pela EFD-Reinf a partir de 2025. A transição foi tecnicamente exigente, e muitas empresas, especialmente as de pequeno porte, cometeram erros no envio dos dados. Um exemplo frequente: a empresa registrou o pagamento do salário de dezembro no eSocial, mas o depósito bancário só caiu em janeiro. O mês do rendimento ficou errado na fonte, e o trabalhador recebeu um informe divergente.
Se você recebeu um informe de rendimentos com valor diferente do que de fato foi pago, a inconsistência pode ser da fonte pagadora, não sua. Nesse caso, a solução não é retificar sua declaração, mas solicitar um informe corrigido ao empregador ou à instituição. O guia sobre informe de rendimentos com erro no IRPF 2026 explica como identificar e resolver esse tipo de situação.
O Checklist dos 7 Pontos Mais Críticos
1. Despesas Médicas
É o motivo número um de retenção na malha fina do IRPF 2026. A Receita Saúde, sistema operacional desde 2025, cruza automaticamente o que cada profissional e estabelecimento de saúde declarou receber com o que o contribuinte declarou ter pago. Qualquer divergência é sinalizada.
Os erros mais comuns nessa categoria:
O valor declarado não bate com o valor que o médico ou clínica informou à Receita. A despesa não é dedutível: medicamentos de farmácia, óculos, vitaminas, academia, nutricionista e massagista não entram. A despesa foi reembolsada pelo plano de saúde mas o valor cheio foi declarado como dedução. O profissional foi pago mas não emitiu recibo com CPF ou CNPJ.
O que verificar: some todas as despesas médicas declaradas e compare com os recibos físicos ou digitais que você tem em mãos. Se declarou algo sem comprovante, é o candidato mais provável à inconsistência.
2. Rendimentos Omitidos
O segundo maior motivo de malha fina. Rendimento omitido não é necessariamente algo intencional: pode ser um freelance esquecido, um aluguel declarado no valor errado, uma pensão não informada ou os rendimentos de um dependente não incluídos.
Os mais frequentemente esquecidos:
Trabalhos extras e serviços prestados como autônomo, especialmente quando houve retenção de IRRF que o contratante já informou à Receita. Aluguel recebido em espécie ou via Pix, sem emissão de recibo formal. Rendimentos de dependentes declarados: se você incluiu um filho que trabalha como dependente, os rendimentos dele precisam constar na declaração. Rendimentos de aplicações financeiras: CDB, fundos, LCI, LCA. Ganhos de capital: venda de imóvel ou carro por valor superior ao custo de aquisição. Pensão alimentícia recebida, que é isenta mas precisa ser informada.
O que verificar: confronte o informe de rendimentos de cada fonte pagadora com o que foi declarado. Se houve qualquer retenção de IRRF que aparece no informe e não foi lançado na declaração, esse valor certamente vai gerar inconsistência.
3. Divergência Entre Informes de Rendimentos e o Que Foi Declarado
Esse ponto se conecta ao problema específico de 2026 mencionado acima. Erros nos informes de rendimentos gerados pelas empresas após o fim da DIRF podem ter chegado até você como contribuinte com valores incorretos, e se você os transcreveu fielmente, sua declaração reproduz o erro da fonte.
A Receita Federal cruza os dados que você declarou com os dados que as empresas enviaram. Se os dois forem iguais, mas diferentes do que realmente aconteceu, a declaração pode não ser retida na malha fina imediatamente, mas pode ser questionada no futuro.
O que verificar: compare o informe de rendimentos que você usou para preencher a declaração com os holerites ou extratos bancários do ano. Se houver diferença relevante, o informe pode estar errado. Fale com o RH ou com a instituição emissora antes de retificar sua declaração.
4. Problemas Com Dependentes
A Receita Federal verifica automaticamente se o mesmo dependente foi declarado em mais de uma declaração. Em casos de guarda compartilhada ou de divórcio recente, esse é um dos erros mais frequentes: os dois ex-cônjuges incluem o mesmo filho como dependente.
Outros problemas comuns com dependentes:
O CPF do dependente foi digitado errado. O filho declarado como dependente tem renda própria que não foi informada na declaração. A mesma pessoa foi incluída como dependente e como alimentando na mesma declaração. O dependente completou a idade limite para ser declarado como tal durante o ano, mas continuou sendo incluído.
O que verificar: confirme que cada dependente tem CPF correto na declaração e que seus rendimentos foram informados. Se você está em situação de guarda compartilhada, confirme com o outro responsável quem vai declarar o filho como dependente este ano.
5. Evolução Patrimonial Incompatível com a Renda
A Receita Federal compara o patrimônio declarado no final do ano com o declarado no início do ano e verifica se o crescimento é compatível com a renda declarada e os tributos pagos. Se você declarou ter comprado um imóvel ou um carro e a diferença patrimonial não é explicada pela renda, a declaração pode ser sinalizada.
Erros comuns nessa categoria: imóvel declarado pelo valor venal (o valor no IPTU) em vez do custo de aquisição; atualização do valor de um bem sem ter ocorrido uma venda formal; doação recebida não informada como rendimento isento.
O guia sobre evolução patrimonial no IRPF detalha como calcular e declarar corretamente essa variação para não gerar inconsistência.
6. DMED e Plano de Saúde
A DMED (Declaração de Serviços Médicos e de Saúde) é entregue anualmente por clínicas, hospitais e operadoras de planos de saúde, informando à Receita o que cada CPF pagou ao longo do ano. Desde 2025, o Receita Saúde complementou esse cruzamento com dados de profissionais de saúde pessoa física.
Se o valor que você declarou como gasto com plano de saúde ou com despesas médicas for diferente do que a operadora ou o médico informou na DMED ou no Receita Saúde, a declaração é retida.
O que verificar: o valor anual de plano de saúde deve corresponder exatamente ao informado no informe de rendimentos da operadora ou no informe de retenção do empregador, se o plano for coletivo. Para despesas com profissionais, o valor precisa estar documentado com recibo que contenha CPF ou CNPJ.
7. Deduções Indevidas
Além das despesas médicas, outros tipos de dedução indevida geram malha fina. Os mais comuns:
Previdência privada: contribuições para VGBL foram declaradas como PGBL. O VGBL não é dedutível. PGBL acima do limite de 12% da renda bruta tributável anual foi declarado. Pensão alimentícia paga de forma voluntária, sem determinação judicial, foi declarada como dedução. Despesas com educação de tipo não dedutível foram incluídas: cursos livres, cursinhos, materiais escolares. Livro-caixa de autônomo com despesas não relacionadas à atividade ou sem comprovantes.
Como Verificar Se Sua Declaração Está na Malha Fina
O processo é simples e pode ser feito em minutos:
1. Acesse o e-CAC em gov.br/receitafederal com sua conta gov.br.
2. Clique em "Declarações e Demonstrativos" e depois em "Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)".
3. Na aba "Processamento", clique em "Pendências de Malha".
4. Se houver pendência, o sistema mostra o motivo da retenção: o código e a descrição do que a Receita identificou como inconsistência.
Se a declaração estiver com status "Em Fila de Restituição" ou "Homologado", não há pendência de malha fina e a restituição deve sair nos próximos lotes.
O Que Fazer Se Você Caiu na Malha Fina
Se você concorda que há erro na declaração: envie uma declaração retificadora corrigindo o problema. Não há multa por retificação voluntária, desde que seja feita antes de qualquer notificação formal de fiscalização.
Se você não concorda com a inconsistência apontada: a Receita Federal oferece a possibilidade de agendar um atendimento virtual (Autorregularização Incentivada ou Processo Digital) para apresentar documentos que comprovem que os dados declarados estão corretos. Esse caminho é indicado quando o erro é da fonte pagadora, não do contribuinte.
Se você recebeu uma notificação formal: o prazo para responder ou regularizar está indicado na própria notificação. Não ignore. O não comparecimento ou a não regularização dentro do prazo pode ativar autuação com multa de 75% sobre o imposto devido mais juros Selic.
A Facilite Pode Verificar Sua Declaração
Se você não sabe se sua declaração está correta ou quer revisar os pontos do checklist antes de a situação se agravar, a contabilidade online da Facilite pode ajudar com a análise e, se necessário, com a retificadora.
FAQ: Malha Fina IRPF 2026
Quantas declarações do IRPF 2026 caíram na malha fina? A Receita Federal estimou que aproximadamente 2,2 milhões de declarações foram retidas na malha fina do IRPF 2026, relativo ao ano-calendário 2025.
Cair na malha fina significa que vou pagar multa? Não automaticamente. Cair na malha fina significa que a Receita identificou uma inconsistência e reteve a declaração para análise. Se você regularizar voluntariamente, enviando uma retificadora antes de qualquer notificação formal de fiscalização, não há multa. A multa só é aplicada se houver autuação formal.
A restituição para quem está na malha fina? Sim. Enquanto a declaração estiver retida na malha fina, a restituição fica bloqueada. O contribuinte só entra nos lotes de restituição após regularizar a situação ou ter a pendência resolvida pela Receita Federal.
Como saber o motivo específico da minha retenção? Acessando o e-CAC em gov.br/receitafederal, na seção "Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)", aba "Processamento", opção "Pendências de Malha". O sistema mostra o código e a descrição da inconsistência identificada.
Se o erro foi da empresa no informe de rendimentos, preciso retificar minha declaração? Depende. Se você declarou corretamente com base no informe errado que recebeu, a solução ideal é pedir à empresa um informe corrigido e, depois, retificar sua declaração com o valor correto. Se você declarou valores que não constavam no informe (valores que sabia que estavam errados), a situação pode ser diferente. Em caso de dúvida, consulte um contador.
O Pix pode fazer cair na malha fina? Sim, indiretamente. A e-Financeira reporta movimentações financeiras acima dos limites estabelecidos, incluindo recebimentos via Pix. Se você recebeu valores expressivos via Pix por serviços prestados e não os declarou como rendimento, a inconsistência pode ser detectada no cruzamento automático.
Posso retificar a declaração quantas vezes quiser? Sim, dentro do prazo de 5 anos a partir da entrega original. Não há limite de retificações. Mas cada retificadora substitui integralmente a anterior, então é importante que ela esteja completa e correta.
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Malha fina não significa fraude. Na maioria dos casos, é uma inconsistência entre o que o contribuinte declarou e o que a Receita Federal recebeu de outras fontes: empregadores, bancos, planos de saúde, médicos e imobiliárias. E 2026 tem um agravante que anos anteriores não tinham: o fim da DIRF e a migração de dados para o eSocial e a EFD-Reinf criaram uma onda de erros nas fontes pagadoras, e parte dos informes de rendimentos que chegaram aos trabalhadores este ano contém valores incorretos.
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