Empreendedorismo

Pejotização em TI: riscos e como pagar menos imposto

Entenda os riscos de atuar como PJ sem estrutura — e descubra como usar o fator R para pagar até 60% menos imposto no Simples Nacional.

Pejotização em TI

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Você recebeu uma proposta de trabalho, mas a empresa pediu para você abrir um CNPJ. A remuneração parece boa, e a sensação é de autonomia. Parece vantajoso mas será que é?

Essa situação é extremamente comum no setor de tecnologia. Muitos programadores abrem um CNPJ sem entender os riscos tributários e trabalhistas que essa decisão envolve. A pejotização, quando feita de forma irregular, pode gerar processos trabalhistas, multas e uma carga de imposto muito maior do que o necessário.

Neste artigo, você vai entender o que é pejotização, quando ela vira risco, como funciona o fator R e como estruturar o seu CNPJ corretamente para pagar menos imposto e trabalhar com segurança.

O que é pejotização e por que é tão comum em TI

Pejotização é o termo usado quando uma empresa contrata um profissional como Pessoa Jurídica (PJ) para exercer uma função que, na prática, seria de um empregado CLT.

Em vez de assinar a carteira, a empresa pede que o profissional abra um CNPJ e emita nota fiscal pelos serviços. O salário vira "honorário" e os encargos trabalhistas somem do balanço da empresa.

Por que as empresas preferem contratar PJ

A conta é simples: contratar um funcionário CLT custa, em média, de 70% a 80% a mais do que o salário bruto, considerando FGTS, férias, 13º, INSS patronal e outros encargos. Contratando um PJ, a empresa elimina todos esses custos.

Por que os profissionais aceitam

O programador, por outro lado, enxerga uma remuneração maior no bolso e a promessa de pagar menos imposto como PJ. Em muitos casos, isso é real mas só quando a estrutura está correta.

Quando a pejotização vira problema legal

O problema começa quando a relação entre o profissional PJ e a empresa apresenta características de vínculo empregatício. A Justiça do Trabalho reconhece vínculo quando há:

  • Subordinação: você cumpre ordens diretas e horários definidos pela empresa

  • Habitualidade: presta serviço de forma contínua e regular

  • Pessoalidade: a empresa contrata você especificamente, não qualquer prestador

  • Onerosidade: há pagamento fixo e regular pela prestação, funcionando como salário disfarçado

Se esses elementos estiverem presentes, a relação não é de prestação de serviços é de emprego disfarçado. E isso pode resultar em:

Atenção: a exclusividade com um único cliente não é, por si só, um dos elementos legais do vínculo — mas é um forte indício que a Justiça do Trabalho usa para investigar se os 4 elementos acima estão presentes.

  • Processo trabalhista movido pelo próprio profissional ou pelo Ministério do Trabalho

  • Pagamento retroativo de FGTS, férias, 13º e outros direitos

  • Multas para a empresa e requalificação da relação contratual

  • Autuação da Receita Federal por irregularidade na emissão de notas

⚠️ Atenção: o risco não é só da empresa. O profissional também pode ter o CNPJ questionado e perder benefícios retroativos que teria direito como CLT.

Como funciona o fator R na prática

O fator R é o cálculo que define se o seu CNPJ paga imposto pelo Anexo III (alíquota menor) ou pelo Anexo V (alíquota maior) do Simples Nacional.

Ele representa a proporção entre o quanto você paga em folha de salários (pró-labore + salários de funcionários + encargos como INSS e FGTS) e o quanto fatura.

Como calcular o seu fator R

A fórmula é direta:

Fator R = Folha dos últimos 12 meses ÷ Faturamento dos últimos 12 meses

O que entra na "folha": pró-labore, salários de funcionários, INSS patronal, FGTS e encargos sobre essas verbas. O INSS que você paga sobre o próprio pró-labore também conta o que ajuda a atingir os 28% com mais facilidade do que parece. Seu contador calcula o valor exato.

  • Resultado ≥ 28% → você se enquadra no Anexo III

  • Resultado < 28% → você cai no Anexo V

Exemplo prático:

Item

Valor

Faturamento dos últimos 12 meses

R$ 120.000

Pró-labore pago no mesmo período

R$ 36.000

Fator R (36.000 ÷ 120.000)

30% → Anexo III

Se o pró-labore fosse R$ 24.000 no mesmo cenário, o fator R seria 20% → Anexo V, com imposto significativamente mais alto.

Anexo III vs Anexo V: quanto você paga de imposto

Essa diferença é o coração do planejamento tributário para programadores PJ. Os percentuais abaixo são as alíquotas nominais a alíquota efetiva (o que você realmente paga) é calculada com uma dedução por faixa e costuma ser menor:

Faixa de faturamento anual

Anexo III (fator R ≥ 28%)

Anexo V (sem fator R)

Até R$ 180.000

6%

15,5%

De R$ 180.001 a R$ 360.000

11,2%

18%

De R$ 360.001 a R$ 720.000

13,5%

19,5%

A diferença na primeira faixa é de quase 10 pontos percentuais. Em um faturamento de R$ 10.000/mês, isso representa R$ 950 a mais de imposto por mês apenas por não usar o fator R corretamente.

Quanto um programador PJ pode pagar de imposto

Veja simulações reais por faturamento mensal:

Cenário 1 — Faturamento R$ 8.000/mês (R$ 96.000/ano)

Situação

Alíquota

Imposto/mês

Imposto/ano

Sem fator R (Anexo V)

15,5%

R$ 1.240

R$ 14.880

Com fator R (Anexo III)

6%

R$ 480

R$ 5.760

Economia

R$ 760/mês

R$ 9.120/ano

Cenário 2 — Faturamento R$ 15.000/mês (R$ 180.000/ano)

Situação

Alíquota

Imposto/mês

Imposto/ano

Sem fator R (Anexo V)

15,5%

R$ 2.325

R$ 27.900

Com fator R (Anexo III)

6%

R$ 900

R$ 10.800

Economia

R$ 1.425/mês

R$ 17.100/ano

Valores aproximados. O cálculo exato varia conforme dedução de parcela e histórico de faturamento. Um contador especializado faz a simulação precisa para o seu caso.

Como estruturar o CNPJ da forma correta

Abrir o CNPJ é só o começo. Para funcionar bem e pagar menos imposto, você precisa acertar quatro pontos fundamentais:

1. CNAE correto para desenvolvedor

Os CNAEs mais usados por profissionais de TI são:

  • 6201-5/01 — Desenvolvimento de programas sob encomenda

  • 6202-3/00 — Desenvolvimento e licenciamento de programas customizáveis

  • 6209-1/00 — Suporte técnico, manutenção e outros serviços de TI

O CNAE errado pode te jogar em um regime tributário mais caro ou incompatível com o fator R.

2. Regime tributário adequado

Para a maioria dos programadores com faturamento até R$ 4,8 milhões/ano, o Simples Nacional é o mais vantajoso desde que o fator R esteja ativo.

3. Pró-labore estratégico

Para ativar o fator R, você precisa se pagar um pró-labore. O valor ideal garante fator R ≥ 28% sem comprometer o caixa do CNPJ. Não existe uma fórmula única: depende do seu faturamento mensal e histórico dos últimos 12 meses.

4. Separação financeira

Conta pessoa jurídica separada da pessoal. Não misture. Isso é básico e é o erro mais comum entre freelancers e desenvolvedores que abrem CNPJ por conta própria.

Erros que fazem programadores pagarem mais imposto

  • Não pagar pró-labore: sem folha, fator R vai a zero → Anexo V automático

  • CNAE inadequado: algumas atividades de TI não permitem migrar para o Anexo III

  • Não acompanhar o fator R mensalmente: ele é calculado sobre os últimos 12 meses e muda com o tempo

  • Misturar conta PJ e pessoal: dificulta a contabilidade e gera problemas com a Receita

  • Não emitir nota fiscal corretamente: notas com CNAE errado ou ausência de emissão são sinais de alerta para auditoria

Como evitar problemas com a Receita e a Justiça do Trabalho

Na relação com os clientes

  • Tenha contratos de prestação de serviços bem redigidos com cada cliente

  • Evite exclusividade prolongada com um único tomador

  • Atenda mais de um cliente sempre que possível

  • Defina prazos e entregas por resultado, não por horário fixo

Na organização do CNPJ

  • Emita nota fiscal para cada serviço prestado

  • Mantenha o DAS pago em dia

  • Guarde contratos, notas e comprovantes de pagamento

  • Tenha um contador que entenda de TI e Simples Nacional não qualquer contador

Vale a pena ser PJ em TI?

Sim quando bem estruturado.

Um programador PJ com fator R ativo, CNAE correto e contabilidade organizada pode pagar apenas 6% de imposto sobre o faturamento e ainda ter liberdade para atender múltiplos clientes, negociar honorários maiores e ter maior controle sobre a renda.

Outro benefício relevante: o lucro que sobra no CNPJ após o pagamento do DAS pode ser distribuído para o sócio como distribuição de lucros e até R$ 50.000 por mês essa distribuição não sofre retenção de imposto de renda. Entender como declarar esses valores corretamente no IRPF é fundamental. Veja os detalhes no nosso guia completo sobre a Declaração IRPF 2026, que explica especificamente como declarar a distribuição de lucros de forma segura.

Mas o modelo não funciona para todo mundo. Se você tem apenas um cliente, cumpre horário fixo e não tem autonomia real, o risco trabalhista é alto e a economia tributária pode virar passivo no futuro.

A diferença entre PJ vantajoso e PJ problemático está na estrutura não na abertura do CNPJ.

Conclusão

Ser PJ em TI pode ser uma decisão inteligente ou uma armadilha disfarçada de liberdade. O que define isso é a forma como você estrutura a sua operação.

Entender o fator R, escolher o CNAE correto, pagar o pró-labore adequado e manter a documentação em ordem não são detalhes burocráticos: são os fundamentos que separam quem paga 6% de imposto de quem paga 15,5%, e quem trabalha com segurança de quem tem risco de processo trabalhista.

Abrir um CNPJ é simples. Fazer ele funcionar do jeito certo exige planejamento e um contador que entenda a sua realidade como profissional de tecnologia.

Fale com a Facilite

Você atua como PJ ou está pensando em abrir um CNPJ?

Fale com a Facilite e descubra como estruturar sua operação para pagar menos imposto com segurança. Nossa equipe especializada em contabilidade para profissionais de TI vai analisar o seu caso e mostrar o caminho mais eficiente para o seu perfil.

👉 Falar com um contador da Facilite agora

Perguntas frequentes sobre pejotização em TI

Programador PJ paga quanto de imposto?

Depende do enquadramento. Com fator R ativo (≥ 28%) e faturamento até R$ 180.000/ano, a alíquota pelo Simples Nacional é de 6% (Anexo III). Sem fator R, cai no Anexo V com alíquota mínima de 15,5% mais do que o dobro.

O que é fator R?

É a relação entre o total pago em folha de salários (pró-labore + salários) nos últimos 12 meses e o faturamento no mesmo período. Se o resultado for igual ou maior que 28%, o CNPJ se enquadra no Anexo III do Simples Nacional, com alíquotas bem menores.

Vale a pena ser PJ em TI?

Vale quando a estrutura está correta. Com CNAE adequado, fator R ativo e contabilidade organizada, o profissional de TI pode pagar uma das menores cargas tributárias disponíveis. O problema está quando o modelo é usado para disfarçar uma relação de emprego.

Posso me enquadrar no Anexo III como programador?

Sim. Desenvolvedores de software podem usar o Anexo III desde que o fator R seja ≥ 28%. Para isso, é necessário pagar um pró-labore que represente pelo menos 28% do faturamento dos últimos 12 meses.

O que caracteriza pejotização ilegal?

Quando o profissional PJ, na prática, funciona como empregado: tem horário fixo, recebe ordens diretas, não pode atender outros clientes e depende economicamente de um único contratante. A Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo empregatício e exigir o pagamento retroativo de todos os direitos trabalhistas.

Como evitar problemas com a Receita Federal?

Emita nota fiscal para todos os serviços, pague o DAS em dia, mantenha as finanças do CNPJ separadas das pessoais e tenha um contador acompanhando sua escrituração mensalmente. Irregularidades na emissão de notas e movimentação incompatível com o faturamento declarado são os principais gatilhos de auditoria.

Preciso ter mais de um cliente para ser PJ?

Não é uma exigência legal, mas ter múltiplos clientes reduz o risco de pejotização. A exclusividade prolongada com um único tomador é um dos principais indícios que a Justiça do Trabalho usa para caracterizar vínculo empregatício disfarçado.




Como funciona o fator R na prática

O fator R é o cálculo que define se o seu CNPJ paga imposto pelo Anexo III (alíquota menor) ou pelo Anexo V (alíquota maior) do Simples Nacional.

Ele representa a proporção entre o quanto você paga em folha de salários (pró-labore + salários de funcionários + encargos como INSS e FGTS) e o quanto fatura.

Como calcular o seu fator R

A fórmula é direta:

Fator R = Folha dos últimos 12 meses ÷ Faturamento dos últimos 12 meses

O que entra na "folha": pró-labore, salários de funcionários, INSS patronal, FGTS e encargos sobre essas verbas. O INSS que você paga sobre o próprio pró-labore também conta o que ajuda a atingir os 28% com mais facilidade do que parece. Seu contador calcula o valor exato.

  • Resultado ≥ 28% → você se enquadra no Anexo III

  • Resultado < 28% → você cai no Anexo V

Exemplo prático:

Item

Valor

Faturamento dos últimos 12 meses

R$ 120.000

Pró-labore pago no mesmo período

R$ 36.000

Fator R (36.000 ÷ 120.000)

30% → Anexo III

Se o pró-labore fosse R$ 24.000 no mesmo cenário, o fator R seria 20% → Anexo V, com imposto significativamente mais alto.

Anexo III vs Anexo V: quanto você paga de imposto

Essa diferença é o coração do planejamento tributário para programadores PJ. Os percentuais abaixo são as alíquotas nominais a alíquota efetiva (o que você realmente paga) é calculada com uma dedução por faixa e costuma ser menor:

Faixa de faturamento anual

Anexo III (fator R ≥ 28%)

Anexo V (sem fator R)

Até R$ 180.000

6%

15,5%

De R$ 180.001 a R$ 360.000

11,2%

18%

De R$ 360.001 a R$ 720.000

13,5%

19,5%

A diferença na primeira faixa é de quase 10 pontos percentuais. Em um faturamento de R$ 10.000/mês, isso representa R$ 950 a mais de imposto por mês apenas por não usar o fator R corretamente.

Quanto um programador PJ pode pagar de imposto

Veja simulações reais por faturamento mensal:

Cenário 1 — Faturamento R$ 8.000/mês (R$ 96.000/ano)

Situação

Alíquota

Imposto/mês

Imposto/ano

Sem fator R (Anexo V)

15,5%

R$ 1.240

R$ 14.880

Com fator R (Anexo III)

6%

R$ 480

R$ 5.760

Economia

R$ 760/mês

R$ 9.120/ano

Cenário 2 — Faturamento R$ 15.000/mês (R$ 180.000/ano)

Situação

Alíquota

Imposto/mês

Imposto/ano

Sem fator R (Anexo V)

15,5%

R$ 2.325

R$ 27.900

Com fator R (Anexo III)

6%

R$ 900

R$ 10.800

Economia

R$ 1.425/mês

R$ 17.100/ano

Valores aproximados. O cálculo exato varia conforme dedução de parcela e histórico de faturamento. Um contador especializado faz a simulação precisa para o seu caso.

Como estruturar o CNPJ da forma correta

Abrir o CNPJ é só o começo. Para funcionar bem e pagar menos imposto, você precisa acertar quatro pontos fundamentais:

1. CNAE correto para desenvolvedor

Os CNAEs mais usados por profissionais de TI são:

  • 6201-5/01 — Desenvolvimento de programas sob encomenda

  • 6202-3/00 — Desenvolvimento e licenciamento de programas customizáveis

  • 6209-1/00 — Suporte técnico, manutenção e outros serviços de TI

O CNAE errado pode te jogar em um regime tributário mais caro ou incompatível com o fator R.

2. Regime tributário adequado

Para a maioria dos programadores com faturamento até R$ 4,8 milhões/ano, o Simples Nacional é o mais vantajoso desde que o fator R esteja ativo.

3. Pró-labore estratégico

Para ativar o fator R, você precisa se pagar um pró-labore. O valor ideal garante fator R ≥ 28% sem comprometer o caixa do CNPJ. Não existe uma fórmula única: depende do seu faturamento mensal e histórico dos últimos 12 meses.

4. Separação financeira

Conta pessoa jurídica separada da pessoal. Não misture. Isso é básico e é o erro mais comum entre freelancers e desenvolvedores que abrem CNPJ por conta própria.

Erros que fazem programadores pagarem mais imposto

  • Não pagar pró-labore: sem folha, fator R vai a zero → Anexo V automático

  • CNAE inadequado: algumas atividades de TI não permitem migrar para o Anexo III

  • Não acompanhar o fator R mensalmente: ele é calculado sobre os últimos 12 meses e muda com o tempo

  • Misturar conta PJ e pessoal: dificulta a contabilidade e gera problemas com a Receita

  • Não emitir nota fiscal corretamente: notas com CNAE errado ou ausência de emissão são sinais de alerta para auditoria

Como evitar problemas com a Receita e a Justiça do Trabalho

Na relação com os clientes

  • Tenha contratos de prestação de serviços bem redigidos com cada cliente

  • Evite exclusividade prolongada com um único tomador

  • Atenda mais de um cliente sempre que possível

  • Defina prazos e entregas por resultado, não por horário fixo

Na organização do CNPJ

  • Emita nota fiscal para cada serviço prestado

  • Mantenha o DAS pago em dia

  • Guarde contratos, notas e comprovantes de pagamento

  • Tenha um contador que entenda de TI e Simples Nacional não qualquer contador

Vale a pena ser PJ em TI?

Sim quando bem estruturado.

Um programador PJ com fator R ativo, CNAE correto e contabilidade organizada pode pagar apenas 6% de imposto sobre o faturamento e ainda ter liberdade para atender múltiplos clientes, negociar honorários maiores e ter maior controle sobre a renda.

Outro benefício relevante: o lucro que sobra no CNPJ após o pagamento do DAS pode ser distribuído para o sócio como distribuição de lucros e até R$ 50.000 por mês essa distribuição não sofre retenção de imposto de renda. Entender como declarar esses valores corretamente no IRPF é fundamental. Veja os detalhes no nosso guia completo sobre a Declaração IRPF 2026, que explica especificamente como declarar a distribuição de lucros de forma segura.

Mas o modelo não funciona para todo mundo. Se você tem apenas um cliente, cumpre horário fixo e não tem autonomia real, o risco trabalhista é alto e a economia tributária pode virar passivo no futuro.

A diferença entre PJ vantajoso e PJ problemático está na estrutura não na abertura do CNPJ.

Conclusão

Ser PJ em TI pode ser uma decisão inteligente ou uma armadilha disfarçada de liberdade. O que define isso é a forma como você estrutura a sua operação.

Entender o fator R, escolher o CNAE correto, pagar o pró-labore adequado e manter a documentação em ordem não são detalhes burocráticos: são os fundamentos que separam quem paga 6% de imposto de quem paga 15,5%, e quem trabalha com segurança de quem tem risco de processo trabalhista.

Abrir um CNPJ é simples. Fazer ele funcionar do jeito certo exige planejamento e um contador que entenda a sua realidade como profissional de tecnologia.

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Programador PJ paga quanto de imposto?

Depende do enquadramento. Com fator R ativo (≥ 28%) e faturamento até R$ 180.000/ano, a alíquota pelo Simples Nacional é de 6% (Anexo III). Sem fator R, cai no Anexo V com alíquota mínima de 15,5% mais do que o dobro.

O que é fator R?

É a relação entre o total pago em folha de salários (pró-labore + salários) nos últimos 12 meses e o faturamento no mesmo período. Se o resultado for igual ou maior que 28%, o CNPJ se enquadra no Anexo III do Simples Nacional, com alíquotas bem menores.

Vale a pena ser PJ em TI?

Vale quando a estrutura está correta. Com CNAE adequado, fator R ativo e contabilidade organizada, o profissional de TI pode pagar uma das menores cargas tributárias disponíveis. O problema está quando o modelo é usado para disfarçar uma relação de emprego.

Posso me enquadrar no Anexo III como programador?

Sim. Desenvolvedores de software podem usar o Anexo III desde que o fator R seja ≥ 28%. Para isso, é necessário pagar um pró-labore que represente pelo menos 28% do faturamento dos últimos 12 meses.

O que caracteriza pejotização ilegal?

Quando o profissional PJ, na prática, funciona como empregado: tem horário fixo, recebe ordens diretas, não pode atender outros clientes e depende economicamente de um único contratante. A Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo empregatício e exigir o pagamento retroativo de todos os direitos trabalhistas.

Como evitar problemas com a Receita Federal?

Emita nota fiscal para todos os serviços, pague o DAS em dia, mantenha as finanças do CNPJ separadas das pessoais e tenha um contador acompanhando sua escrituração mensalmente. Irregularidades na emissão de notas e movimentação incompatível com o faturamento declarado são os principais gatilhos de auditoria.

Preciso ter mais de um cliente para ser PJ?

Não é uma exigência legal, mas ter múltiplos clientes reduz o risco de pejotização. A exclusividade prolongada com um único tomador é um dos principais indícios que a Justiça do Trabalho usa para caracterizar vínculo empregatício disfarçado.



Você recebeu uma proposta de trabalho, mas a empresa pediu para você abrir um CNPJ. A remuneração parece boa, e a sensação é de autonomia. Parece vantajoso mas será que é?

Essa situação é extremamente comum no setor de tecnologia. Muitos programadores abrem um CNPJ sem entender os riscos tributários e trabalhistas que essa decisão envolve. A pejotização, quando feita de forma irregular, pode gerar processos trabalhistas, multas e uma carga de imposto muito maior do que o necessário.

Neste artigo, você vai entender o que é pejotização, quando ela vira risco, como funciona o fator R e como estruturar o seu CNPJ corretamente para pagar menos imposto e trabalhar com segurança.

O que é pejotização e por que é tão comum em TI

Pejotização é o termo usado quando uma empresa contrata um profissional como Pessoa Jurídica (PJ) para exercer uma função que, na prática, seria de um empregado CLT.

Em vez de assinar a carteira, a empresa pede que o profissional abra um CNPJ e emita nota fiscal pelos serviços. O salário vira "honorário" e os encargos trabalhistas somem do balanço da empresa.

Por que as empresas preferem contratar PJ

A conta é simples: contratar um funcionário CLT custa, em média, de 70% a 80% a mais do que o salário bruto, considerando FGTS, férias, 13º, INSS patronal e outros encargos. Contratando um PJ, a empresa elimina todos esses custos.

Por que os profissionais aceitam

O programador, por outro lado, enxerga uma remuneração maior no bolso e a promessa de pagar menos imposto como PJ. Em muitos casos, isso é real mas só quando a estrutura está correta.

Quando a pejotização vira problema legal

O problema começa quando a relação entre o profissional PJ e a empresa apresenta características de vínculo empregatício. A Justiça do Trabalho reconhece vínculo quando há:

  • Subordinação: você cumpre ordens diretas e horários definidos pela empresa

  • Habitualidade: presta serviço de forma contínua e regular

  • Pessoalidade: a empresa contrata você especificamente, não qualquer prestador

  • Onerosidade: há pagamento fixo e regular pela prestação, funcionando como salário disfarçado

Se esses elementos estiverem presentes, a relação não é de prestação de serviços é de emprego disfarçado. E isso pode resultar em:

Atenção: a exclusividade com um único cliente não é, por si só, um dos elementos legais do vínculo — mas é um forte indício que a Justiça do Trabalho usa para investigar se os 4 elementos acima estão presentes.

  • Processo trabalhista movido pelo próprio profissional ou pelo Ministério do Trabalho

  • Pagamento retroativo de FGTS, férias, 13º e outros direitos

  • Multas para a empresa e requalificação da relação contratual

  • Autuação da Receita Federal por irregularidade na emissão de notas

⚠️ Atenção: o risco não é só da empresa. O profissional também pode ter o CNPJ questionado e perder benefícios retroativos que teria direito como CLT.

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